Lembro quando me disseste que nunca teria raízes nesses concretos, teria que passar pelo cimento, pelos canos e esgotos e se viesse a ter seria fraca e doente.
Não sei quanto a ti, Elena, mas sinto que suas palavras sensatas e delicadas podem até fazer sentido, mesmo que não poderia as adaptar a mim. Um vento frio não há de ser apenas um incomodo ou motivo para tristeza, lembra-te que o vento frio tira o cabelo do rosto e deixa uma visão diferente do mundo, deixa as folhas secas no chão em baixo das árvores, trazendo um ar de mudanças. Tente se lembrar que não há dor que possa ser lutada ou enfrentada, dor é para ser sentida, assim como o amor e o prazer.
Elena, é lindo te ver dançando com a lua e se entregando com seus olhos fechados ao som da vida, te ver batucando com o isqueiro e a garrafa de cerveja, com aquele sorriso lindo que tens, e Elena, suas palavras podem ser bonitas e tu pode se esconder por trás dessa vaidade louca, mas saiba que vazio nenhum se cobre com um copo de vinho ou com um sexo mal feito, que te tens amargurada, muito menos com o sorvete que deixaste o pote em cima da mesa. A morte a suga cada dia mais, tendo que agradecer por ter entrado nesse poço, parece que gosta desse sofrimento, parece não, eu sei que gosta. Então, se essa escuridão é sua luta contra a dor e ao mesmo tempo seu descanso, seu sossego, que descanse em paz, mas pare de tentar me acordar gritando para que as luzes sejam acendidas quando lhe convém, acenda-as você mesma.
Já não sei se poderia mais escutar de amores passados ou roupas antigas, a felicidade anda diante a ti, não irá encontrar ela em teu passado.
''-O que ela tem?
-Ela é assim"
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